segunda-feira, 16 de julho de 2007

Novo show de Ana Carolina causa estardalhaço e protestos!

A cantora e compositora Ana Carolina vem causando bastante inquietação com o seu novo show, "Dois quartos", que contém o repertório do novo CD homônimo, duplo, que já vendeu 200 mil cópias, aproximadamente. Os últimos três dias de apresentação em Belo Horizonte foram marcados por severas críticas inerentes ao conteúdo lascivo e dissoluto das novas canções. Uma delas se chama "Eu comi a Madona" (assim mesmo, com um só n na grafia de Madonna, para evitar complicações na Justiça, e não deixar claro se ela se refere à maior popstar do mundo). Eis o trecho que causou perturbação no público: "Me esquenta com o vapor da boca e a fenda mela/Imprensando a minha coxa na coxa que é dela".

Outro momento polêmico do show é a exibição de um vídeo sadomasoquista de 1950, onde é exibida uma técnica milenar de amarrar o parceiro. Na canção "Nada te faltará", Ana diz: "Meninas sangrando na boca e no meio das pernas/ no meio da noite tomando cacete". Na quase infame "Cantinho", a cantora encarna a figura de um homem e solta, despudoradamente, à meia-voz: "Me levou pra um cantinho e disse: - Morde/ Quando dei por mim, pensei: - Que sorte!/ Disse: - Tudo bem, tudo é natural/ Olhou-me nos meus olhos/ Chupou meu pau".

Mesmo com todo esse excesso de verborragia erotizada, a cantora não consegue, nem de longe, provocar o furor que Madonna (a quem faz referência) causava nos anos 80 e início dos 90, com os discos "Like a Virgin", "Like a Prayer" e "Erotica", por exemplo. Apesar de ser campeã de vendas, Ana Carolina não alcança em qualidade musical a sua colega Angela Rô Rô, que surgiu no Brasil em 1979, causando discussões e polêmicas com uma avalanche de boas canções com arranjos simples, porém sofisticados, e letras confessionais, verdadeiras e muitíssimo bem elaboradas, que foram regravadas por nomes como Marina Lima, Maria Bethânia, Léo Jaime, Barão Vermelho, Emílio Santiago etc.

No fim das contas, o novo repertório de Ana Carolina - bastante inferior ao antecessor, "Estampado" - não inspira razão para tanto "bafafá" em torno do show, que apenas traz um punhado de canções com apelo excessivo e desnecessário, gosto bastante duvidoso e qualidade altamente questionável. Mas o show da cantora não se resume somente a polêmicas, há momentos em que se assemelha à turnê "Estampado", com canções românticas, como "Carvão", que está na trilha sonora da novela Paraíso Tropical. No show, ainda estão incluídos alguns de seus sucessos como "Pra rua me levar" e "É isso aí", esta última com Ana ao piano. Ela canta ainda a nova música de Marina Lima, "Três", que Adriana Calcanhotto já vem cantando em seus shows. Enfim, deve agradar aos fãs mais fiéis e despertar ao menos curiosidade nos demais. O show deve seguir para Rio de Janeiro e São Paulo, a partir do dia 19 de julho. Em agosto é a vez de Recife conferir a apresentação, no Chevrolet Hall. A cantora admite que sente prazer em ousar e afirma, "Gosto de brincar com a liberdade. Ouve quem quiser ouvir, vai ao show quem quiser ir. (...) A arte não faz sentido se não mexer no buraco do outro".

Afora isso, Ana tem se dedicado a compor músicas em parceria com outros compositores, como Jorge Vercilo, com quem fez várias canções, dentre elas: "Abismo" (gravada por Jorge no disco "Signo de Ar"); "Um edifício no meio do mundo" (gravada por Ana para o CD "Dois quartos"); "Eu que não sei quase nada do mar" (gravada por Maria Bethânia em seu mais recente CD, "Pirata"); e "Personagem" (gravada por Pedro Mariano em seu mais recente CD homônimo). Além disso, emprestou sua música "Ruas de Outono" à voz de veludo de Gal Costa, para a trilha sonora da novela Paraíso Tropical, da Globo.

Show "Dois quartos", de Ana Carolina, em Recife:
Local: Chevrolet Hall
Data: 18 de agosto de 2007
Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia-entrada).

4 comentários:

Diego Moretto disse...

Também achei desnecessária essas letras... pura marketing, ns minhs opinião; apesar de ela não conseguir causar o ofuror q talvez tenha planejado. Bom, mesmo assim gosto do som da Ana, emoção não falta nas interpretações, e isso esta em falta no país.

Bom, realmente Bublé lançou um dos melhores álbuns de 2007. Adoro muito o cantor e tenho os 3 cds dele. Só achei a definição de "Jazz" um pouco equivocda... sempre achei que o Bublé pegava uma veia mais Blues...mas vai de cada um.

Parabens pelo blog. Não esta tão no começo assim. E possui posts maravilhosos. Muito obrigado por me visitar e volte sempre lá. Grande abraço!

Mônica Dias disse...

Show de bola teu blog!

Inteligente e com ótimos comentários...
Parabéns!

Adorei as fotos do seu show!
Bjsss

Williams Vicent disse...

nunca fui com a cara dela, essa onda de cantoras de voz grave ja esta meio saturada, nem zelia duncam escapa mais depois que foi pagar mico nos mutantes. Ana é joana contemporanea, ou seja, brega, mas tem la quem goste. parece ainda com umas cantoras natalenses que pregam o sapatanismo de quinta em pagodes idem. quanto ao apelo erotico, de repente ela esta trepando muito e anda tao tesuda que resolveu extravazar nas letras, por esse lado, acho otimo, mas a Carolina andou outro dia estapando a Veja com SOu Bi e daÍ!! Bi aonde, em que planeta???? entao assumir as influencias da madonna em letras e show parece que nao vai salvar Ana da pieguice

Lippe >, disse...

O novo cd da Ana é "choco". Ela não consegue se decidir nunca se quer fazer de sua música uma arte ou se quer apenas torná-la vendável. A única coisa que posso afirmar é que ela quer SER hype. Ela quer ser uma Marisa Monte, um Caetano. Ela quer vender e ser reconhecida ao mesmo tempo. Muitos cantores conseguem o feito de serem respeitados por profissionais do ramo e críticos e pelo público em geral, o tal mundão. Mas ela peca muito em "Dois Quartos". Ela quase chega ao tom artístico desejado, mas fica nas "verborragias alopradas". Mas uma coisa ela conseguiu: vender.