
O enorme sucesso do grupo se deve a Daniel Johns, vocalista, guitarrista e letrista, que está para o Silverchair assim como o saudoso Renato Russo para a Legião Urbana, no Brasil – ou seja, ele vale por 90% da banda. Genial e criativo, o vocalista de apenas 28 anos começou no Silverchair aos dezesseis, juntamente com os colegas Chris Joannou (baixo) e Ben Gillies (bateria). O disco de estréia chamava-se Frogstomp (1995), cujo carro-chefe era a canção Tomorrow. Na seqüência, veio o álbum Freak show (1997), que apresentava os sucessos Freak e Cemetery. No entanto, o ápice da banda deu-se com o lançamento do CD Neon Ballroom (1999), que trazia uma enxurrada de boas canções, como o mega-sucesso Miss you love, responsável pela projeção mundial do trio. São desse disco Emotion sickness (cujo clipe trazia imagens fortes e pungentes, chegando a ficar semanas no topo dos mais vistos da MTV), Anthem for the year 2000 e Ana’s song (que fazia menção à anorexia, doença da qual o cantor foi acometido nessa época. Ouça o trocadilho dos versos “Ana wrecks your life/ Like an anorexia life”). É desse período a tendência do Silverchair de incluir belos arranjos de cordas nas músicas, e que viria a se consolidar no trabalho seguinte, Diorama, que apresentava regências grandiloqüentes para canções como Across the night, World upon your shoulders, Tuna in the brine e Luv your life (música mais bonita do disco). Os clipes de Without you e The greatest view também fizeram bastante sucesso. A música que encerrava o CD era a mesma que abria os shows da turnê: After all these years, que pode também ser entendida como “after all diseases”, pois retrata o período saudável de Daniel Johns, o qual – além da anorexia – sofrera de asma e de um tipo raro de artrite que o deixara prostrado durante meses numa cadeira de rodas. É dessa época também a união do músico com a cantora australiana Natalie Imbruglia.
Após a turnê de Diorama, deu-se o longo período de descanso da banda, em que os integrantes dedicaram-se a projetos paralelos: Daniel Johns compôs várias novas canções e formou, juntamente com o tecladista Paul Mac, a banda The Dissociatives, que trouxe alguns elementos de música eletrônica, aliados ao rock alternativo – influência também percebida no mais recente disco do Silverchair. O baterista Ben Gillies, por outro lado, formou a banda Tambalane, em parceria com o vocalista Wesley Carr.
Em 2006, Daniel, que antes havia insinuado um possível fim do grupo, resolve se contradizer – para alegria de todos – e acaba retomando os trabalhos junto à banda, compondo e produzindo o mais novo fruto, Young modern, que mostra um Silverchair versátil, capaz de se renovar e de modificar a sonoridade a cada trabalho, sem, no entanto, perder a sua essência grunge, às vezes pop, outrora alternativa, e até meio indie rock. O álbum – mais longo que os anteriores – foi gerado num clima de grande expectativa dos fãs e contém 13 faixas meticulosamente produzidas ao longo de mais de dez meses. O primeiro single e clipe, Straight lines, já é sucesso no país de origem da banda e em várias partes do mundo, como nos Estados Unidos. A faixa comprova que Daniel Johns – com seu belo timbre agudo que vai da doçura à acidez – está cantando cada vez melhor. Reflections of a sound é a segunda música de trabalho, da qual também foi produzido um clipe. O ápice do disco é o medley Those thieving birds (Part 1) – Strange behaviour – Those thieving birds (Part 2), que remete ao álbum anterior no que diz respeito à inclusão de requintados arranjos de cordas, dando um ar clássico às canções. All across the world – música de encerramento do disco, dotada de arranjos eletrônicos e totalmente distinta de tudo que a banda já fez – em nada lembra a sonoridade do Silverchair dos primórdios e apresenta nítida influência do trabalho de Johns no The Dissociatives, seu projeto alternativo, que trouxe o sucesso Forever and a day. Destaque ainda para as faixas Young Modern Station e If you keep loosing sleep. Enfim, Young modern distancia-se enormemente de Frogstomp e Freak show (os dois primeiros álbuns), não traz um mega-sucesso em potencial como Miss you love, do CD Neon Ballroom (maior êxito do grupo) e tampouco carrega a beleza única de Diorama (o incrível disco anterior). No entanto, o mérito do novo CD é denotar o talento e a sensibilidade de Daniel Johns como músico-criador e mostrar que o Silverchair ainda é capaz de mostrar um trabalho interessante e de boa qualidade, embora tenha exagerado um pouco a dosagem das mudanças.