quarta-feira, 11 de abril de 2007

TRADUZIR-SE
(Ferreira Gullar)

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém - fundo sem fundo

Uma parte de mim é multidão
Outra parte, estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa e pondera
Outra parte delira

Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem

Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?

2 comentários:

Walquíria disse...

Posso te fazer uma pergunta: você se enquadra em "Traduzir-se"? Nossa, você deve ser um mistério!

Freddy Simões disse...

Walquíria, todo mundo tem seus mistérios, e eu não fujo à regra. Quando a me enquadrar em "Traduzir-se", não sei... Só sei que ter temperamentos antagônicos não significa necessariamente se contradizer, mas pode ser uma vontade infinda de quebrar limites, de querer ser um pouco mais do que os ditames dos padrões e as algemas impostas pela realidade. Arte é isso: transcender limites e alcançar o infinito!