quinta-feira, 19 de abril de 2007

"(...) OUVIR AQUELA CANÇÃO DO ROBERTO..."

Hoje é aniversário do personagem mais popular e fascinante da história da música brasileira: Vossa Majestade, o rei Roberto Carlos! O seu surgimento no cenário musical há mais de quarenta anos funcionou como um vulcão em erupção que veio a queimar, destruir todos os preconceitos musicais advindos dos defensores da bossa-nova e das modas de viola. Roberto trouxe o rock n' roll ao Brasil, e foi duramente criticado pelos “intelectuais” por cultivar um estilo originado no exterior, pois, dessa forma, “descaracterizaria” a música brasileira e a levaria a uma perda de identidade. Não sabiam eles que Roberto só viria a representar com grandiloqüência a nova cara da música brasileira, mais versátil, mais interessante e muito, mas muito mais popular do que a já existente. Como tudo o que é novo e bom assusta, surgiram várias correntes de protesto contra o jovem e simpático cantor. É dessa época a criação da sigla MPB (Música Popular Brasileira), com o intuito de desmoralizar qualquer proposta musical que viesse de fora, e o capixaba Roberto Carlos era o principal alvo desse tiroteio de preconceito, devido a sua notável influência de Elvis Presley e dos quatro rapazes de Liverpool, que se tornariam, pouco depois, a banda mais importante e criativa do mundo: The Beatles.

Entretanto, os protestos levaram a nada: Roberto Carlos foi conquistando sucesso e espaço cada vez maiores na mídia, e provocava frisson por onde passava. Aos poucos, seus mais ferrenhos críticos, dentre eles a cantora Elis Regina (figura mais importante da MPB dos intelectuais e estrela maior do Fino da Bossa) renderam-se aos seus encantos. O ponto alto dessa quebra de resistência talvez tenha sido a magnífica gravação da canção de Caetano intitulada "Baby", na voz “de veludo” de Gal Costa, em 1968, justamente para o disco intelectual de protesto contra a ditadura militar, o famoso Tropicália. A referida canção dizia o seguinte:

“Você precisa tomar um sorvete na lanchonete/ Andar com a gente, me ver de perto/ Ouvir aquela canção do Roberto...".


Esse fonograma também ajudou a projetar Caetano e Gal em escala nacional.

Com o lançamento do disco “O inimitável” e do filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, o cantor se transformaria, pouco depois, no maior fenômeno de vendas do Brasil, e ter uma canção gravada por ele passou a ser o sonho de qualquer compositor, pois era certeza de altíssimo retorno financeiro, reconhecimento e guinada na vida. Logo em seguida, veio a década de 70, época de maior genialidade e consagração da parceria mais duradoura e bem-sucedida da música nacional: Roberto Carlos/Erasmo Carlos. Eles são criadores de algumas das músicas mais tocadas e regravadas do nosso país. Sucessos como Detalhes, Proposta, Café da Manhã, Amada Amante, É preciso saber viver, Olha, Além do horizonte, Lady Laura, Amigo, Cavalgada e um sem-número de canções fazem Roberto Carlos se orgulhar de ser um dos poucos artistas a figurar no inconsciente coletivo brasileiro, tamanha a dimensão do sucesso obtido. Ele manteve o êxito na década de 80, onde figuram canções inesquecíveis como Emoções, As baleias, O côncavo e o convexo, Do fundo do meu coração, Caminhoneiro, Fera ferida, dentre outras.
Na década de 90, ele viveu os melhores momentos de sua vida ao lado de sua amada, Maria Rita, e viveu os piores, quando da morte dela em 1999, época em que o cantor sofreu o seu hiato criativo e perdeu um pouco do prestígio como compositor, embora tenha mantido o sucesso de vendas. Seu disco e especial simultâneos ainda são bastante esperados nos finais de ano. Já é longeva a tradição: no Brasil, não há Natal sem Roberto!

Atualmente, ele vive boa fase profissional: faz inúmeros shows pelo país, sempre em ginásios; lança discos de inéditas, embora poucas, e algumas regravações de seus antigos sucessos; ganha bastante dinheiro com shows fechados em cruzeiros para pessoas mais abastadas; e ainda cuida de seus negócios de criação de gado de raça nas suas fazendas. Ainda mora no luxuoso bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Está bem melhor do TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), e já até canta “Quero que vá tudo pro inferno” e “Negro Gato” em algumas de suas apresentações.

Parabéns, Roberto! Que você continue nos proporcionando alegrias com sua música por durante muitos e muitos anos! Há um predicativo que resume tudo o que você é para nós, brasileiros: FUNDAMENTAL.

2 comentários:

Williams Vicent disse...

a pena é que o Rei parece qeu vai terminar os dias como ilustre no inconsciente coletivo. Roberto hoje é delicioso de se ouvir gravado pelos outros, a personalidade ficou la, guardada no tempo em que ele proferia coisas como "é proibido fumar". hj, cristianizado ao quadrado e cheio de manias, o rei so nao perdeu a majestade, mas as musicas...se tornaram um punhado de cça níqueis.

Ana Maria disse...

Freddy,sua maneira de escrever é sublime!Parabéns ao rei e vivas a vc!Beijos.