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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fumo

Tenho ficado em casa mais tempo do que de costume, aproveitando as horas livres para ler e reler várias coisas. Certo dia, redescobri a obra polêmica e encantadora de Florbela Espanca, poetisa admirada em todos os cantos do mundo, devido à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm como principal interlocutor o universo masculino. Eu conheci a arte de Florbela através do cantor cearense Raimundo Fagner, que musicou magistralmente os sonetos Fanatismo, Chama quente, Tortura e Fumo (o meu preferido!). Fiquei embevecido com tanta angústia, lascívia e paixão, expressados em versos contundentes.
Em Fumo, a poetisa põe lado a lado o amor e o vício. Há a comparação da pessoa amada com a fumaça, que nos escapa aos dedos, impossível de se segurar. É como se o amor se perdesse antes mesmo de se encontrar. Impressionam-me também as imagens que ela utiliza para retratar a dor da ausência, em versos como: "Longe de ti não há luar nem rosas/ Longe de ti há noites silenciosas/ Há dias sem calor, beirais sem ninhos". Ela compara, nas entrelinhas, sua tristeza ao clima de outono em Portugal: "Os dias são outonos - choram, choram/ Há crisântemos roxos que descoram". Seus pensamentos suplicam o tempo inteiro a presença da pessoa amada: "Meus olhos são dois velhos pobrezinhos, perdidos pelas noites invernosas/ Abertos, sonham mãos cariciosas/ Tuas mãos doces, plenas de carinho". Enfim, são muitas as minhas impressões acerca desse soneto belíssimo, mas prefiro retratar cantando o que sinto:


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quero beijar-te mais sete mil vezes!!

Ah! Meu corpo arde em brasa e minha mente fica tomada por pensamentos lascivos quando me lembro da delícia dos teus beijos, criatura voluptuosa! Estou atônito, inebriado... Nem consigo acreditar que tu paraste de massacrar meu peito e resolveste dar vazão aos instintos e anseios que - para meu espanto - também eram teus!
Passei dias a te observar, a procurar um sinal, um elemento que eu pudesse tomar como resposta afirmativa de um desejo recíproco, mas teu olhar estava envolto em uma nuvem de mistério, e isso só agravava minha angústia de saber se eu poderia seguir em frente. No entanto, nada precisei fazer para desvendar teus segredos: tu vieste a mim, de ímpeto, entregue a meus carinhos, como num filme.
Minhas mãos ainda guardam o calor quase febril do teu corpo, que percorri lenta e suavemente, tal qual um escultor utilizando a argila do prazer, moldando com apuro cada pedaço de sua obra de arte. Que imagem, que visão!
Agora me encontro irremediavelmente louco de tesão por ti. Preciso ver novamente teu sorriso de candura quase infantil, contrastando com teu ser vibrante, pulsante...
Vem se aventurar, vem pagar pra ver, vem me desvendar, ter e dar prazer. Mas vem sem fantasia, sem mentir para o que sentes. Vem perder-te em meus braços, pelo amor de Deus!
Sei que estás em uma ilha cercada por um mar revolto de dúvidas e temores. No entanto, não quero nem posso te largar! Preciso beijar tua boca linda mais umas sete mil vezes, pelo menos!Esperarei pacientemente por ti... mas, por favor, baby, não demora tanto a vir matar minha sede... de cair na tua rede!
*O texto contém ligeiras citações de Angela Ro Ro, Jorge Vercilo, Chico Buarque e Djavan

terça-feira, 31 de março de 2009

A poesia lúbrica de Bruna Lombardi.

"Quero dormir com você ou pelo menos te dar um beijo na boca. O meu amor não tem pudor, nem acanhamento. Não tem paciência, não aguenta mais a urgência do desejo..."
(Bruna Lombardi)

Certo dia, estava eu na Internet, navegando sem leme, ao léu dos ventos e das correntes de minha solidão infinda, em busca de uma palavra poética que desse alento ao meu coração. Tamanha a minha surpresa, deparo-me com a mais pura poesia lúbrica advinda da bela atriz, modelo e escritora BRUNA LOMBARDI. Demasiadamente embevecido com a intensa carga de loucura, desejo, despudor, chama e paixão contida em seus versos, fico incrédulo ao imaginar como é possível essa mulher linda, talentosa e de incrível sensibilidade ser mais reconhecida e lembrada pelas novelas em que atuou do que pelo seu legado poético.
Bruna lançou 03 livros de poesia, entre 1976 e 1984. São eles: No ritmo desta festa, Gaia e O perigo do dragão, respectivamente. Desses, infelizmente, apenas o último encontra-se em catálogo.
Eis uma mostra de sua obra poética:

A viagem da paixão

Tenho os caprichos inerentes à natureza da mulher
abro a caixa de pandora que eu quiser
e lanço mão de todo mal e todo bem
avanço a passos largos
alcanço o ponto extremo e vou além
onde se estende a palpitação das células
e se prolongam feixes de neurônios
onde se nasce, morre e se enlouquece
intima de deuses e demônios.
Onde habitam as feras, os espítiros das florestas
onde se determina a primavera
e se marcam as nossas testas.
Onde se aprende a sabedoria do fogo
e todas as forças de atração
e se descobre o ponto que orienta
esse mapa de navegação.
Estrela solitária, asteróide desgarrado
luz que aponta o caminho
da viagem da paixão.


Jardim das delícias
Procuro em mim um homem sem moral
que me deixe arisca e me deite de costas
mandando coisas.
O oculto da paixão tem mais sabor que
pitanga roubada
e minha alma dissoluta, dissimulada
mistura ao vinho uma idéia de me jogar
em lençóis de linho
ou no mar.

Ah, eu queria saber de cor o nome das estrelas
todas as constelações e tudo
que de mistério carrega o ser humano
a face das pessoas, a inconfessável
a dimensão da atmosfera e o ponto exato
onde tudo se desintegra
Quero conhecer o sentido da vida
a essência do voo e a geografia.
Cio

Quero dormir com você ou pelo menos
te dar um beijo na boca
o meu amor não tem pudor, nem acanhamento
não tem paciência, não aguenta mais
a urgência do desejo
e eu te olho, te olho, te olho
como se dissesse.

Penso, ele há de perceber, me encosto um pouco
espero um gesto, um sinal, uma atitude
que eu possa interpretar como resposta
uma indicação
mas você é um homem sério e continua
se escondendo atrás dessas teorias
e nem te brilha no olho uma faísca de tentação.
ai, que aflição
pensar no que eu faria
se pudesse

desejo que não acontece
fica parado no peito
ai, vira obsessão.


Baixo ventre

eu não aguentava mais de amor por você
tava ardendo de vontade de você
você há de me querer
há de tentar, se atrever
mesmo se for um delito, se for errado
maldito, amaldiçoado
mesmo que o céu nos castigue
com um eterno eclipse
e venha o caos, satã, o fim de tudo
e a gente seja culpado
porque não soube resistir à tentação
eu não quero me livrar desse pecado
e me salvo através dessa paixão.


Alta tensão

eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.



Sinistro
Inclua no seu amor um pouco de desespero
derrame seu potencial de drama nos tapetes
ponha sal nas frutas ácidas
tente um pouco de champagne no sapato
esparrame de preguiça pelos linhos
no espalhafatoso desleixo dos lençóis
use olhos cristalizados, cintilantes
com faíscas no meio das plumagens
aprenda a cantar e a cabriolar um pouco
a dança elástica de uma enguia
se esfregue nas nervuras, descubra trunfos
muito escorregadia
Saiba o zodíaco chinês e as manchas do demônio
conhecedora de alquimias
deguste seus horrores em rituais estranhos
Seja uma ameaça
Dê telefonemas interurbanos em meio à noite
a Angkor, Himalaia, Terra do Fogo
Estilhace as regras desse jogo
que um pouco de maldade é necessária
Libidinosa sempre entre parênteses
esguiche todo esse seu som de dentro
ensopada de paixão e de água fria
leviana até a última mordida
Esquiva como uma taturana
penetrando no gargalo da garrafa
estenda suas estrias até o limite da suspeita
pois não há nada como um crime atrás do outro.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A felicidade reside na ignorância.

Eu, solitário e desesperançado, confesso já estar ficando um tanto cansado de exercer diariamente a tolerância e a candura com os que me cercam. As pessoas esperam de mim muito mais do que eu talvez possa oferecer a elas. Preciso ter um sorriso sempre plantado no rosto, serenidade na voz e eterna disposição para ouvir, entender, esperar, doar a mim mesmo e fazer concessões o tempo inteiro, despretensiosamente. Pergunto: quem se importa com o que sinto e sou? Quem estende uma mão amiga em meus momentos de fraqueza e angústia? A verdade é que cada um só quer olhar para si, pois enxergar um palmo à frente do nariz significa ter a árdua tarefa de compreender com mais profundidade o ser humano, com todas as suas complexidades e mazelas emocionais. E quem enxerga o mundo sem viseiras livra-se simultaneamente das amarras da mediocridade, e sofre mais por saber que a realidade é muito mais cruel e mesquinha do que se imaginava outrora. Decerto, a felicidade reside na ignorância!

Os últimos dias têm sido para mim uma verdadeira prova de fogo, pois vejo minha liberdade cerceada em todos os aspectos, e preciso lutar o tempo inteiro para tentar quebrar todas essas correntes presas a mim. Numa dessas tentativas, resolvi dar vazão a uma paixão arrebatadora, e corajosamente me dispus a admitir para mim mesmo que eu queria engrenar um relacionamento sério e duradouro, pautado em razão e sentimento de amor. Como um bicho acuado e medroso permuta suas angústias em pura valentia, algumas pessoas fazem exatamente o contrário: transformam seus receios em ações de covardia e desdém. E foi isso que aconteceu com a contraparte, ao ceder à vil chantagem emocional de uma 'persona non grata' que, motivada por ressentimentos, só quis me destituir de crédito, em vias de injúria e maldade, causando sofrimento psico-emocional em minha humilde pessoa.

Meu defeito mais humano é amar em demasia, mas não posso ser diferente. Sou um anjo carnal, e não cabe a mim a tristeza ou a vergonha. A minha razão agora passa a prevalecer sobre minha emoção, e renuncio a mais um amor, na certeza de que ofereci o melhor de mim. Em meio a tanto descaso e desamparo, meu bom humor ainda me faz vislumbrar beijos e baladas, bossas e sambas numa partitura contínua de esperança!

Os amores passam, mas as canções ficam! E o carnaval tá chegando... Viva o mês de fevereiro! Viva a música! Viva Vercillo! Viva a gente!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Descaso

Domingo, noite
Céu, estrelas
Limbo, leito
Paixão nova
Cores belas
Longe-perto
Açoite, peito
aberto em chaga, dor...
Sangue jorra
Frio arde
Luz se apaga
- Que demora!
Não me mate, amor...
Vazio, já vou tarde
O descaso não tem hora
Tanta espera me cansou!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Confissões, devaneios e sossego... Muito sossego!

Estou praticamente recluso por uns dias em Itapetim, pequena cidade do interior de Pernambuco, sertão do Pajeú, onde estão fincadas minhas origens. Longe de comunicações via celular e da agitação de Recife, busco a paz de espírito e o equilíbrio emocional. Espero também alegrar meu coração com os festejos juninos, que começam na próxima semana. A receptividade dos moradores daqui é impressionante e faz com que a pessoa se sinta de fato abraçada, abrigada. O tempo aqui está bastante frio, e mesmo durante o dia a temperatura é bem agradável. O silêncio dessas horas calmas me torna reflexivo acerca de muitas coisas as quais vivenciei nos últimos meses, e que deixaram marcas profundas e feridas abertas em meu peito. Dessa forma, resolvi convidar minhas tristezas e mazelas emocionais para um chá da tarde comigo, pois encarar certas questões de frente é melhor que fugir delas. A experiência de meus últimos dissabores me leva a acreditar que mais vale ser altruísta que egocêntrico, embora seja muito difícil praticar esse querer despretensioso, em que se dá amor sem exigir recíproca. "Que prazer mais egoísta o de cuidar de um outro ser, mesmo se dando mais do que se tem pra receber". Os dias passados foram um verdadeiro exercício de paciência, no qual tive de conviver com egoísmo, vaidade, infantilidade, histerismo e desequilíbrio psicológico. Tentei ainda persistir nessa relação absurda, porque eu sou "todo amor", e meu sentimento, por ser verdadeiro, nutria-me de esperanças de que tudo iria ficar bem. No entanto, sei que foi mais acertado ficar afastado de tudo isso, embora o vazio machuque ainda o meu peito, pois esse convívio estava substraindo a energia positiva que existe em meu ser atuante, vibrante, pulsante... E as pessoas têm que somar algo de bom e construtivo às nossas vidas - caso contrário, é melhor que estejam bem longe de nós! Apesar de o amor nos levar a fazer concessões e romper alguns limites, não é saudável abrir mão de alguns princípios que nos norteiam e denotam nossa personalidade. Não vou mentir pra mim, fingindo ser alguém que não sou. Gosto de gente bonita, feliz, inteligente e de bem com a vida! Sei que todos têm problemas - e alguns muito difíceis de administrar -, mas não tenho paciência para ouvir lamúrias o tempo inteiro. É muito fácil reclamar de tudo e de todos sem sequer mover uma palha para mudar a situação! É preciso entender que a atitude é que destrói a barreira existente entre a mediocridade e o êxito em nossas vidas. "Eu não sou de olhar o que passou nem lamentar o que se foi - sou de criar o que será". Espero que os erros e acertos me dêem a experiência necessária à construção de uma nova história, sempre! "Só nos cabe a dor frente a evolução". Eu quero, posso e mereço ser feliz com o que sou e o que tenho, e só desejo uma coisa a quem não me amou: saiba amar alguém um dia!

Enquanto me recupero de todo o mal que me foi causado, faço da música a minha companheira e da literatura o meu porto seguro. Estou cada vez mais embevecido com a música do Jorge Vercillo e com descoberta (tardia, porém compensadora) da maravilhosa poesia de Bruna Lombardi (a quem eu dedicarei com maior prazer uma matéria inteira, dentro em breve).

domingo, 20 de abril de 2008

Para um amor no Recife (parte final).

"Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada".
(Caetano Veloso)

Meu coração está ferido de morte, repleto de sentimentos subtrativos de minha energia espiritual, mas a mágoa e a vergonha me dão motivação para vomitar a minha dor em palavras!

Abri espaço no meu peito para que você surgisse, sem pressa, sem culpa, sem crises, sem pudores... Na minha mente estúpida de romântico inveterado, acreditei que finalmente a felicidade tinha chegado a mim, dando-se assim na forma de uma paixão avassaladora que poderia ter se convertido em amor, com o tempo! Agora faço minhas as palavras de Renato Russo, quando ele diz: "A felicidade é uma mentira. E a mentira é salvação".

Era uma situação nova, distinta para mim, e eu me esforcei para que as coisas dessem certo, apesar das adversidades inerentes às nossas rotinas! No entanto, quando penso que tudo são flores, você quebra o encanto da maneira mais vil e indelicada... E sequer teve a coragem de direcionar seus olhos verdes aos meus para eu ter certeza de que eles diziam a verdade. Não! Aquilo não poderia estar acontecendo... Não em se tratando de você! Mas aconteceu! E não há como esquecer o que já se fez! É difícil esquecer sua figura transtornada, como se outra alma tivesse tomado conta de seu corpo para destruir tudo de belo que estava sendo construído... Mas não era outra alma coisa nenhuma: era sua personalidade mesmo! Você é assim, e nada posso fazer quanto a isso!

Dessa vez não vou chorar. Não quero nem posso fazê-lo, pois não vale à pena o desgaste. Em meus 26 anos de vida, descubro a importância das decepções para a obtenção contínua da experiência, embora a minha maquineta da resignação não funcione adequadamente e me leve a maldizer os dissabores, como se eles fossem de todo ruins! Mas agora, ao invés de derramar meu pranto, vou rir meu riso!!! E para findar, desejo apenas uma coisa a quem não me amou: saiba amar alguém verdadeiramente um dia! E muito obrigado pelo aprendizado!

Gostaria de agradecer a todas as pessoas queridas, que estão comigo e não me deixam ficar sozinho! A vida segue... e a fila anda!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Nos beijamos demais

Para um amor no Recife

Alta noite! Trancado estou em meu quarto. O vento frio adentra o ambiente pela janela. Ninguém lá fora... O mundo dorme e eu continuo acordado... Ouço apenas o barulho da chuva que cai incessantemente. Ponho uma canção do Jorge Vercillo pra tocar e acendo um incenso. Em poucos segundos, o cheiro de cravo da Índia começa a exalar e a tomar conta de mim... E eu fico inebriado... Aquela canção gostosa me invade os ouvidos: - Breve coração, tens um eterno ardor que me inunda a alma de emoção (...). Desfaleço-me sobre a cama, já despido das roupas e dos problemas. Como é doce viver para me recordar de que há poucos instantes eu tive o meu amor nos braços... Nós nos beijamos demais, entregues ao desejo arrebatador... Ai, a sua pele em brasa a me chamuscar, a esgrima de língua, a face roçando a minha, o torso, o gosto do suor, as pernas entrecruzadas e a indizível sensação de sua boca de maçã a percorrer e a beijar cada pedaço do meu corpo... Todos os sentidos direcionados à libido, à busca do êxtase puro.

Ah, indelével ânsia de amar, por que caminhas lado a lado comigo? Por que não me deixas? Não sei explicar a razão nem quero! Já estou irremediavelmente louco, embriagado de amor...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Muitos carnavais...

"Se eu deixar de sofrer, como é que vai ser para me acostumar? Se tudo é carnaval, eu não devo chorar, pois eu preciso me encontrar".
(Batatinha/J.Luna)

Meu corpo já começa a sentir os efeitos do esforço dispendido na folia de Momo que termina hoje, mas mesmo assim encontro motivação para escrever estas palavras regadas a muito álcool e nicotina! Carnaval... festa das múltiplas possibilidades, em que uma força esquisita e libertária faz despertar na gente essa ânsia louca de trilhar os caminhos da lascívia, que têm como destino os mais torpes, incontidos e indizíveis desejos... Nessa época, as pessoas querem se livrar de todas as amarras impostas pela vida prática e real, e mostrar o que elas realmente são: seres humanos, dotados de instintos, necessidades e vontades, nos quais a razão não consegue nem deve impor freios o tempo inteiro. E é assim, desenfreada, a vontade que eu tenho de você. Queria ter coragem de lhe dizer com mais objetividade e sem rodeios tudo o que sinto, mas acho que não é nem necessário fazê-lo, pois, no fundo, você já sabe... mas não quer nem pode entender! Ontem, procurei a sua presença, busquei sua cara entre as caras da multidão, pois queria ao menos por intantes que os seus olhos de mar cruzassem os meus, e assim eu pudesse estampar no rosto o meu sorriso mais bonito, advindo da alegria do reencontro, da alegria de ver a sua figura ali presente! Queria apenas lhe dar um abraço apertado e sincero! No entanto, aos poucos, a minha esperança de encontrar você se esvaeceu tal qual a fumaça do meu cigarro. As batidas do meu peito tornaram-se mais fortes que as dos sambas entoados pela cantora deslumbrante que se apresentava no palco. Então, decidi juntar-me a turma que me acompanhava e seguir rumo ao pólo multicultural no Marco Zero! Sambei a noite inteira para esquecer o quanto me senti sozinho neste carnaval, apesar de tão "disputado" por família e amigos! "(...) Alguém vai sambar comigo, e o nome eu não digo/ Guardo tudo no coração".

Chego à conclusão de que não há Galo da Madrugada, ladeiras de Olinda, frevos, sambas, axés ou mil beijos indiscriminados que possam curar a solidão, porque ela é inerente à condição humana. No fundo, as pessoas brincam mesmo para esconder a dor! Vou findar as palavras por aqui, pois a minha cerveja já está esquentando...


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Para um amor em São José do Egito...

Fim de noite... Doces minutos de loucura em que me lembro do perfume embriagante que exalava daquele pescoço... O toque sutil daquelas mãos impetuosas a acariciar minha pele cravada de arrepios... Ah, como é bom viver para me desprender, ao menos por instantes, dessa maçante rotina, e me lembrar do quão feliz, meu bem, você me fez naquela madrugada de desejos profundos e ocultos que podem parecer deveras ignóbeis, mas que constituem a representação nua e crua do puro e inelutável prazer! "Navega em mim, que eu sinto os prazeres do mar".

domingo, 21 de outubro de 2007

Louco por você...

Nos últimos dias, tem sido difícil carregar o peso de tanta aflição em meu peito... Tamanho tormento precisa acabar, e já! Gastei toda minha retórica em profusões de metáforas e diversas outras construções eruditas do vernáculo, mas agora quero simplificar com veemência as coisas: sou louco por você!

Pronto, está dito! Simples como fogo! E não pense que eu perdi o tino por causa de tal atitude libertária! Saiba: não é nada fácil confessar-se dessa forma, mas há situações-limite em que não dá mais para ficar afogado num mar de angústias e temores, preocupando-se exacerbadamente com a possível reação negativa de outrem.

A sua aparição em minha vida me fez adentrar o meu "eu" desconhecido e colocou em xeque muitos de meus valores e princípios até então estabelecidos como via de regra, e que vieram a se tornar totalmente obsoletos com o tempo! Gosto de você mesmo, e não me importa o que pense ou fale!

Sem mais delongas, é melhor que fique tudo às claras mesmo! Assim eu me sinto mais verdadeiro, mais leve! Afinal de contas, apaixonar-se não é crime!

"Toda razão perde o seu fim se um coração for o juiz". (Djavan)

Obs.: queridos leitores, o nome do blog ainda é "Café Cultural", e não "Café Confessional", cabe ressaltar!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Nobody lives without a love!

I'd like to dedicate these words to my sweet love:
Now I'm here... by myself... I'm waiting for you but I know that you won't come back to me at this moment. Please my love, tell me what must I do without seeing you! Since you went away, nothing else matters to me. I can't forget you. Everybody says that a great love only may be forgotten when a new love appears. I can not forget you because my heart says to me that I'll not love anybody as I loved you.

However I know (maybe) one day you'll come back to me because another love like mine you'll never find around the world. Nobody lives without falling in love. Nobody lives without a love!

Inspired on a Brazilian song named "Ninguém vive sem amor", composed by Almir Bezerra and performed by The Fevers.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

"Agora é só fluir, que o melhor ainda está por vir".

Acabo de ter um acesso de inspiração nesta madrugada gélida e chuvosa. É que me encontro no estado de graça típico dos ébrios! Mas o meu uísque não é suficiente para saciar a sede que estou sentindo da tua presença, criatura voluptuosa! Nem acredito que estive a poucos centímetros de distância da tua boca, do teu olhar malicioso e do cheiro altamente inebriante que exala da tua pele... Meu corpo em frêmito pede o teu... E eu quero a esgrima de língua, o toque ágil das tuas mãos, o calor das tuas coxas nas minhas, o afago nos cabelos, a compilação de obscenidades ao ouvido, a respiração quente e ofegante a me entorpecer... Sinto a vontade incontida de fazer do meu corpo o teu templo de torpes desejos! Quero romper os limites da paixão arrebatadora e me esquecer do mundo mesquinho e desprezível lá fora, para que eu possa ficar unicamente à mercê dos teus carinhos, sem pensar em mais nada... No entanto, tu encontras todo tipo de acinte para me deixar morrer de sede em frente ao mar, e isso só faz aumentar a minha ânsia de te conquistar a qualquer custo. Dou-te a certeza de que persistirei em alcançar o meu intento de te fazer cair de amores por mim!

Ah! Agora preciso dormir, mas não sem antes terminar de beber aquele uísque que deixei pela metade para vir escrever estas ignóbeis, porém sinceras linhas.

"Eu só queria que não amanhecesse o dia/ Que não chegasse a madrugada/ Eu só queria amor/ Amor e mais nada".

terça-feira, 7 de agosto de 2007

"Tudo é tão claro em mim... Sei que é amor e será fundo como o mar".

Não é possível prever a data em que o amor baterá à nossa porta (ou entrará sem pedir licença). De repente, encontramo-nos perdidos, entregues, jogados aos leões da paixão “infinda”. Quando, enfim, percebe-se que os planos foram destruídos e que o amor foi banido de um dos corações por algum motivo de força maior, nada resta a não ser dizer: - Vai! Segue teu caminho e sê feliz! Espero que tu consigas amar alguém um dia!

Ficar triste? Claro! Somos humanos, embora não seja muito inteligente estagnar-se por conta de uma desilusão. Ajudar os outros é uma boa sugestão para esquecer o peso nos próprios ombros. “Essa já não é mais a época de se ligar na própria dor”.

Algo que não me deixa permanecer triste é minha relação de carinho e amizade com as palavras. Através delas, posso ser eu mesmo, posso personificar coisas e criar personagens, os quais, na verdade, não passam de frações da minha própria essência: o “eu racional”, o “eu sozinho”, o “eu crítico”, o “eu (in)dignado”, o “eu amante” etc. Enfim, EU, e nada mais que eu mesmo!

E sigo assim: tropeçando e me reerguendo, mas amando sempre! E, como diria Djavan, espero que o amor nunca se perca de mim, enquanto puder...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Auto-retrato.

Às vezes penso que sou um poeta atormentado, insano e equivocado. Talvez eu seja um simples “nerd” hipertenso e viciado em nicotina, devaneios poéticos e canções de amor! Porém, em mim prevalece um vício maior: ser feliz. Mas pode a felicidade ser classificada como vício? Não seria um caminho ou um estado de espírito? Decerto, todos a querem, embora poucos a consigam. Ninguém está satisfeito por completo com o que tem. Essa insatisfação nos leva a uma busca desesperada e constante de um bem irreal, o qual está muito acima de nossas limitações de pobres mortais.

É difícil lidar com a ambigüidade tão presente nesta existência, tal qual o fogo e a água no planeta. Ganha-se daqui, perde-se dali! Desconsolo e solidão não são prerrogativas apenas dos desvalidos. Sofrem de tristeza o sóbrio e o ébrio, o branco e o preto, a Rita e a Beatriz, o belo e o mal-afeiçoado, o patrício e o plebeu. A vida é inconstante como o clima equatorial, em que os raios ensolarados de uma manhã facilmente se convertem em tarde sombria e chuvosa.

Bem, mas não vou ficar aqui a escrever coisas tolas e sem nexo sobre prazeres e dissabores! Tampouco terei a pretensão de querer explicar o que não tem explicação: o amor. Meu maior defeito (ou virtude) é gostar demais das coisas da vida e amar com toda a intensidade do meu corpo e do meu espírito! Contudo, há uma simples coisa que nunca consegui fazer: conjugar o verbo auxiliar SER na primeira pessoa do presente do indicativo junto ao verbo AMAR no particípio.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

"(...) Aturdido, sem sentido, não sei onde vou..."

Eu poderia beijar mil bocas indiscriminadamente para tentar te apagar do pensamento - ainda assim, seria inútil o esforço, pois a simples possibilidade de beijar a tua boca já é melhor que qualquer ação concretizada com outrem... Meu bem, eu só tenho pensado em ti a todo instante - minhas horas estão divididas entre a realidade e o sonho de me perder em teus braços, ter-te por completo, ali, entregue aos meus carinhos voluptuosos... A tua mão vadia a percorrer cada centímetro de minha pele cravada de arrepios, à mercê do prazer que só a tua presença inebriante é capaz de me proporcionar... Teus olhos de mar a olharem os meus, felizes... A satisfação de te ouvir dizer, à meia-voz, que me quer e me deseja por toda vida, mais que tudo, fazendo-me, dessa forma, descobrir que o amor existe...

Um estampido abala meu coração e me faz despertar bruscamente para o mundo real, tão mais chato sem tua companhia próxima a mim... Meu amor, vê a magnitude do meu querer por ti, capaz de me fazer tolo a ponto de escrever um texto totalmente passional, talvez piegas e deveras lascivo em meu blog de variedades! Meu Deus, estou aturdido, sem sentido... Onde ficou perdida a minha sã consciência? Tens tão pouco a me oferecer! Como posso esperar tanto de ti, de mim, da vida?

Palavras, palavras, palavras... Preciso controlá-las! Não posso vomitá-las assim, sem recato!!!

Ah, fim de papo! Sou apenas um simples homem que precisa de carinho...

"Morrer de amor não é o fim, mas me acaba". (Djavan)


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Segredo...

"Desses olhos tenho medo/ Quer dizer tudo/ Tudo é segredo/ Vejo em sua cor/ Que tudo será triste/ Se um dia eu deixar de te ver..."

Sinceramente, não sei mais o que pensar nem o que dizer a respeito de minha humilde pessoa. Desconheço minhas atitudes e estou completamente desprovido de razões que possam, de alguma forma, justificar meu comportamento. Só tenho a certeza de uma coisa: da inquietação imensa que sinto; da vontade de gritar para o mundo inteiro o quanto eu amo! Meu Deus, até quando terei que calar as minhas palavras, meus planos, meus desejos? Por quanto tempo precisarei estancar meu sangue que ferve nas veias, que clama por amor?


Fui pego de surpresa! De repente, eu me vi assim: totalmente embevecido com a tua lindeza, com o brilho estonteante dos teus belos olhos de mar, com o timbre embriagante de tua voz deliciosa que me provoca arrepios de desejo... Que vontade de te abraçar! O que é isso? Será doença? Destino? Não sei, não sei... Apenas sinto...


No entanto, digo-te que não te preocupes, Amor, pois te amar é como olhar a lua inacessível. É melhor eu não saber se tu poderias gostar de mim algum dia... Prefiro as feridas da solidão à dor da tua indiferença. Não te quero perder de vista por nada neste mundo! Deixa do jeito que está... Serei feliz enquanto estiver a contemplar a essência da tua beleza de forma imaculada, impoluta, genuína...

Guarda contigo o meu beijo mais apaixonado e a certeza do meu afeto indelével...

"Há sempre algo de ausente que me atormenta." (Camille Claudel)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Feliz Dia dos Namorados!

Não sei nem saberei explicar o porquê de eu ser demasiadamente romântico. Procuro e consigo encontrar em quase todas as coisas da vida algo de poético. Sofro por não viver quase nada do que sonho. Não tenho um amor verdadeiro para quem eu possa expressar tudo de belo e grandioso que consigo absorver do mundo. Quando falo em amor verdadeiro, leia-se amor recíproco, pois não se pode conceber amor solitário. Amor só existe se emanado por duas pessoas, e inexistem disposições em contrário; todo o resto é paixão, desejo, obsessão ou qualquer outra espécie de sentimento. Tempos atrás, eu me considerava um cara bastante cético, mas confesso estar começando a acreditar em destino, e o meu parece ser a solidão eterna. Sei que não deveria escrever essas palavras aqui, mas o faço como forma de exteriorizar o que não consigo mais guardar comigo! A data que se aproxima só me faz lembrar o quanto dói a constatação de que estou sozinho; é uma espécie de espelho que reflete a alegria dos casais apaixonados e, ao mesmo tempo, a dor daqueles que estão sem companhia. Por mais que eu tente demonstrar alegria, meus olhos plangentes não conseguem mais ocultar minha tristeza infinda. Somente o apego ao trabalho me dá motivação para me levantar e seguir em frente. Às vezes me descontrolo e explodo, pois nem mesmo os mais fortes nervos conseguem resistir às torturas impostas pela solidão. Mesmo assim, faço um esforço tremendo para cultivar a leveza do ser e jamais manter a alma pesada (credo!). Um dia o amor irá bater à minha porta, eu sei...
Vou afogar minhas mazelas emocionais amanhã no show do Jorge Vercilo! FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

(Se eu continuar escrevendo coisas desse teor, vou acabar mudando o nome do blog para "Café Confessional").

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Palavras vãs...

São onze e meia da noite. Da janela eu olho a cidade quase parada nesse fim de quinta-feira! O tempo não está tão quente - pelo contrário, está até ventando e fazendo um pouco de frio. A juventude que essa brisa canta me faz esquecer um pouco dos problemas e me dá estímulo ao pensamento. Há um bom tempo eu estava sem inspiração para escrever, nem que fossem essas bobagens as quais escrevo agora, e isso me deixa eufórico. Nessa hora de calmaria e quase meditação, eu mentalizo coisas boas e promissoras para minha vida, e meu peito se enche de esperança - a contínua esperança que o ser humano deve preservar para conseguir viver nesse mundo cheio de dissabores e injustiças. Nesse horário eu me sinto mais equilibrado, porque tento lavar minha alma e deixar escorrer pelo ralo todo pensamento vil e retrógrado, a fim de conservar minha mente limpa para o sono que já chega. Que os espíritos benfazejos me tragam perene inspiração e impulso para seguir a caminhada diária, sempre na direção do bem e com o coração repleto de sentimentos puros como o perdão, a caridade e o amor ao próximo.

Boa noite!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"DESESPERO-ME QUANDO FICO LONGE DE TI POR MUITO TEMPO".

Não sei se te amo ou se te odeio! Quero fugir de ti, mas não consigo. Uma força maior que meu ser me impele a fazer exatamente o contrário: correr para teus braços. És meu bem e meu mal. Acalmas os meus nervos e dissipas a minha energia física e espiritual. Desespero-me quando fico longe de ti por muito tempo; às vezes, eu te quero o tempo todo! Nos momentos de solidão atroz, tu és a minha companhia constante; tua presença me distrai e me faz esquecer, por instantes, a dor de ser tão só. És uma doce armadilha: chegas sutilmente para depois tomar conta de todo o meu corpo e até do meu pensamento. Proporcionas a mim um prazer intenso, mas és, de certa forma, um veneno que me leva a cometer um lento e gradual suicídio. Há noites em que não consigo dormir sem o teu acalanto... Ah! Teu odor impregnado em minha roupa e no ar que eu respiro... Roubaste o meu autocontrole... Um dia estarei livre dessa escravidão; estarei livre de ti, CIGARRO!